11 de julho de 2011

365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos

A perda mais difícil, eu posso falar que foi a sua partida, vô...
O senhor deixou tantas saudades. Passou-se um ano, e tem coisas que faço que penso “vô faria assim”, “vô falaria isso”. Partes da casa que me tiram lágrimas...
E, aqui, por um algum motivo que eu não quero entender, ainda há alguma parte em mim que deseja que você - mesmo distante, daqui tão de perto – não me deixe. E eu só queria que você soubesse que não houve um dia desses 365 dias passados, no ano que (você) se foi, no qual eu não tenha pensado em você ou desejado que você voltasse. Ou eu voltasse. Já não sei mais quem partiu primeiro. Mas eu senti saudade por todo esse ano e desejei que fosse diferente. Não que o meu desejo tenha adiantado algo, mas eu ainda assim quero te lembrar que eu desejei... No outro ano eu ainda tinha meu tripé, meu pai, porque você sim mesmo com a maneira dura de ser era quem me mantinha estável, esse ano a ausência do seu apoio me faz aflita e me assusta. Por isso, nesse ano eu não vou fazer pedidos. Para que se eles não se realizam? A vida não é como a gente deseja, ela é como ela deve ser e do nosso destino não se pode fugir, caso ele exista mesmo. Então, que venham os próximos anos, que venham os velhos sonhos e que venha força para encarar e aceitar a vida como ela um dia vai acabar sendo. Não é esse um jeito covarde de desistir, mas sim um jeito corajoso de recomeçar.
Onde quer que você esteja neste momento, se você estiver me vendo/ouvindo, quero que saiba que EU TE AMO! E que NUNCA vou te esquecer!

Avô. 
11.11.1940 - 11.07.2010
1 ano. Saudades!

7 de julho de 2011

"Amor não é sentimento, é habilidade."

     A frase despertou essas reflexões sobre o que fazemos do amor. Se amor não é sentimento, é uma habilidade, tudo fica mais complicado e mais fácil. Mais complicado porque sentimento a gente simplesmente sente e pode vivenciar plenamente – só que não depende da gente. Mas se é uma habilidade, qualquer um pode desenvolver.
     Pessoas que entram e saem de relações frustradas têm salvação, porque não foi um sentimento que não deu certo – talvez falte a elas desenvolver a habilidade de amar. Provavelmente não desenvolvemos essa habilidade porque estávamos esperando ser arrebatadas por um sentimento forte, louco, assustador.
     Se amar é uma habilidade e como tal pode ser aprendida, depende então de nossa opção. Querer amar, aprender a conviver com o outro, aceitar as diferenças, dividir. Talvez seja esse o segredo de relações tão duradouras: os casais decidem que querem amar, apesar de tudo que possa vir – dos problemas, da falta de dinheiro, da chatice do outro, das doenças, do distanciamento...
     Fica ainda mais interessante essa nova percepção se pensarmos que amar não se restringe ao nosso marido, namorado ou companheiro. Amar é algo muito maior. Amar nossos filhos, nossos parentes, nossos amigos – e, quem sabe, até alguns inimigos também. Afinal, se é uma opção, não tem restrições.
     Não precisamos ficar parados esperando o sentimento chegar. Escolhemos: eu quero viver no amor. E cada passo nosso será dado nessa direção e todas as coisas ganham um sentido diferente – porque amar não é mais algo que vem de fora, é alguma coisa bem guardada dentro de nós, que decidimos despertar e convidar a fazer parte do nosso dia a dia.

Colunista: Viviane Pereira

4 de junho de 2011

Magia


"Essa é a minha opinião... Todos nascemos conhecendo a magia. Nascemos com vendavais, incêndios florestais e cometas dentro de nós. Nascemos capazes de cantar para aves, ler para nuvens e ver nosso destino em grãos de areia. Mas então a magia aprende a sair das nossas almas. Somos colocados em situações difíceis e nos dizem para sermos responsáveis, para agirmos conforme nossa idade. E sabe por que nos dizem isso? Porque as pessoas têm medo da juventude... E porque a magia que conheciam os envergonhavam e deixavam tristes pelo que eles deixaram murchar em si mesmos. Depois de ir tão longe, você não pode reave-lo; pode apenas ter alguns segundos de conhecimento e lembrança. Quando as pessoas ficam chorosas no cinema, é porque naquele teatro escuro, o ouro fundido da magia é tocado por alguns instantes. Em seguida, elas saem em direção ao sol da lógica e da razão. E novamente ele seca, e o coração entristece e não sabem o porquê. Quando uma música desperta uma memória, quando partículas de poeira giram em um raio de luz e tiram a sua atenção do mundo, quando você ouvir um trem passar em uma trilha distante e você imaginar aonde ele pode estar indo, você dá um passo além de quem você é e onde está. E por um breve instante, você entrou para o mundo mágico."

18 de maio de 2011

Além

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
Vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

Carlos Drummond

25 de março de 2011

Nostalgia

"(...) Me recordei rapidamente de todas as pessoas e coisas que perdi por ainda não estar preparada para elas, ou por ainda ter muita curiosidade de mundo e dificuldade em ser permanente..." Tati Bernardi

24 de março de 2011

As coisas


"Calo-me, espero, decifro
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras, irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir."

Carlos Drummond

5 de dezembro de 2010

Ao fundo do espelho

"Quando me surpreendo ao fundo do espelho assusto-me. Mal posso acreditar que tenho limites, que sou recortada e definida. Sinto-me espalhada no ar, pensando dentro das criaturas, vivendo nas coisas além de mim mesma. Quando me surpreendo ao espelho não me assusto porque me ache feia ou bonita. É que me descubro de outra qualidade. Depois de não me ver há muito quase esqueço que sou humana, esqueço o meu passado e sou com a mesma libertação de fim e de consciência quanto uma coisa apenas viva." Clarice Lispector

25 de novembro de 2010

Deixa o olhar do mundo

Deixa que o olhar do mundo enfim devasse
Teu grande amor que é teu maior segredo!
Que terias perdido, se, mais cedo,
Todo o afeto que sentes se mostrasse?
Basta de enganos!
Mostra-me sem medo
Aos homens, afrontando-os face a face:
Quero que os homens todos, quando eu passe,
Invejosos, apontem-me com o dedo.
Olha: não posso mais!
Ando tão cheio
Deste amor, que minh'alma se consome
De te exaltar aos olhos do universo...
Ouço em tudo teu nome, em tudo o leio:
E, fatigado de calar teu nome,
Quase o revelo no final de um verso.
Olavo Bilac